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Artigos : A descoberta da maior tribo brasileira
Enviado por rogeriolara em 09/03/2010 16:44:07 (156 leituras)



Estudante de publicidade da FAAP, Renato Meirelles, ex-aluno do colégio Equipe, sempre viveu nas ilhas de classe média da cidade de São Paulo. Até que um estágio o levou, em 2004, a passar um mês num minúsculo apartamento de um conjunto habitacional da periferia, onde morava uma família com quatro pessoas, além de um gato e um cachorro.

Aquela experiência o ajudaria a virar um empresário bem-sucedido. Nos últimos dois anos, ele vem ganhando cada vez mais contratos justamente por causa de pessoas parecidas com as quais morou.


Ele foi para a periferia de São Paulo entender como pensava e sentia a classe C. Hoje é empresário de uma consultoria (Data Popular) que coloca antropólogos observando essa classe média emergente e ajuda a desenvolver e vender produtos.

São usadas técnicas de etnografia, com as quais se conhece uma tribo indígena ou uma comunidade quilombola. As descobertas se traduziram em ações, como vender bilhete de avião de porta em porta ou produzir computadores com aulas de orçamento doméstico.

Na semana passada, mais uma bateria de dados mostra o pouco conhecimento sobre essa que é maior tribo brasileira.

Num projeto elaborado pelo Unicef para os centros urbanos, o Ibope, por meio da Fundação Paulo Montenegro, capacitou moradores das próprias comunidades para serem entrevistadores -entrevistaram tanto os cidadãos comuns como lideranças comunitárias.

Até então nunca tinha sido realizado um levantamento tão completo sobre como são tratadas as crianças e os adolescentes nos bairros populares -o que vai de creche, escolas, passando pelos centros de saúde, proteção policial, até áreas de lazer, cultura e relações familiares. O foco aqui são os cuidados com as crianças e os adolescentes em São Paulo. "Aprendi como, nesse segmento, desprotegido, valorizam-se as redes sociais, a começar da família", afirma Renato Meirelles, que, com o Datafolha, publicou pesquisa revelando as dez tendências do consumidor emergente.

A nota mais alta (9) é dada para o apoio das famílias ao progresso educacional dos filhos. Mereceu 8 a seguinte afirmação: "Eu me sinto seguro na minha casa".

O mundo protegido é, basicamente, a esfera doméstica. O resto é uma ameaça, com raríssimas exceções. Uma delas é o atendimento pré-natal, com nota mais alta (8,6). Existe, aqui, uma sensação de acolhimento.

Nada parecido com outras áreas. Na questão do ensino, as críticas são pesadas: 3,4 é a nota para vagas em creche; 2,9 para a confiança entre comunidade e agentes do sistema de segurança (policiais, delegados etc.).

No estudo produzido por Renato Meirelles com o Datafolha, vemos como a religião, especialmente as evangélicas, ocupa o espaço de descrédito -é ali que se sente uma rede de solidariedade que, em certa medida, aproxima-se da casa.

A partir de comparações com entrevistados das classes A e B, esse trabalho conclui que os emergentes dão mais importância aos grupos de convivência. "Por isso, valorizam mais o relacionamento com parentes e vizinhos." Isso significa mais valor ao casamento.

Fora dos limites domésticos, o que impera é a sensação de ser estrangeiro na sua própria terra. Ou de que índio não quer apito.

Ocorre que cerca de 70% dos chefes de famílias da classe C têm, no mínimo, ensino médio -o que revela a mais profunda mudança na nossa paisagem social.

PS - Coloquei em meu site (http://www.dimenstein.com.br) o estudo feito pelo Datafolha e pelo Data Popular sobre as tendências do consumidor emergente, a partir de pesquisas quantitativas e qualitativas. O futuro dos filhos dos emergentes aparece num dos pontos da pesquisa -são menos protegidos e mais independentes do que os jovens de famílias mais ricas.



(Envolverde/Aprendiz)



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